Lispector me traduziu em palavras ao postar: "Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias". E por esta angústia que me dilacera, mesmo sem tempo ou mesmo sem ter o que colocar vim aqui neste espaço pra escrever qualquer coisa, mas pra escrever e esvaziar a alma desta angústia que por vezes me dilacera...
Escrevo não para que o mundo me veja ou me reconheça, porque se tão somente escrevesse não me faria reconhecível e se escrever desse futuro eu não teria chances. Enfim, escrevo para mim, por que as palavras pulam da alma para o papel ou para o blog ou para qualquer outro espaço de forma instantânea, imprevisível e espontânea... Não desenvolvi os freios da palavra, ela vem e eu a deixo ir e visitar quem quer que lhes abra a porta. Só isso... Se isso for só. Só estou aqui... Mas as palavras me fazem companhia e me sinto menos só quando estou com elas e quando sinto que outras pessoas irão ler isso aqui e partilhar do mesmo pensamento, ou discordar, mas ao passo em que se liberta a palavra e surgem os prós e os contras nasce a discussão e nasce a idéia e nasce o consenso e por aí vai.
